Unidos Notícias 30/2026

Paróquia Jesus Operário: 60 anos de história

A paróquia de Jesus Operário (Monterotondo) está celebrando 60 anos desde o início da sua existência. A comunidade paroquial viveu uma peregrinação ao Santuário de São Gabriel da Dolorosa, patrono da paróquia. O Santuário se encontra sob o Gran Sasso, nos Apeninos abruzzeses, a 2 horas de Monterotondo. Participaram cerca de 300 pessoas.

Eis o testemunho vibrante de Roberta.

“Jesus Operário em São Gabriel: depois de Collevalenza, casa cheia de novo!”

Poderia começar assim o título de uma notícia jornalística na web. E sim, porque num quente fim de semana de meados de junho, grande parte da comunidade de Jesus Operário, hoje domingo, 14 de junho de 2026, escolheu — mais uma vez — uma peregrinação no lugar de um fim de semana na praia, na montanha ou simplesmente no lugar do ar-condicionado, série de televisão e sofá.

Cada vez — sublinhado, cada vez — que a paróquia propõe uma peregrinação, a comunidade responde, de forma alguma timidamente, mas em média com 5 ônibus!

O anúncio inicial é mais ou menos sempre o mesmo: “por ora bloqueamos um ônibus; aos poucos vamos comunicando como está indo!” — portanto, abordagem “low profile”, como se diria no marketing, sem nenhuma alavanca de venda do tipo: “últimas 5 vagas, apresse-se!”

Coisa capaz de despertar a inveja até da mais “santa” das agências de viagens!

No entanto, pensando bem mais uma vez, esse “SIM” “em voz alta” não foi dado a propostas “confortáveis”.

Ninguém nos prometeu: “tranquilos, acordar tarde” — porque de fato hoje o despertador tocou mais cedo que o habitual, e ainda assim às 7h00 a maioria de nós já estava no ponto de encontro.

Ninguém nos antecipou: “vamos parar no posto para uma paradinha e um café” — mas apesar de sabermos que por duas horas não pararíamos, todos nós — crianças e adultos incluídos — concordamos, contanto que chegássemos cedo.

Ninguém nos “conquistou pelo estômago” com: “almoço típico no famoso restaurante tal” — porque os sanduíches eram os nossos, mas num certo momento, sob os pinheiros ou sob a cobertura, cada um compartilhava ou provava, doava ou trocava.

Neste nosso sexagésimo aniversário, em que graças a Deus há quem estava e conta para quem ainda não estava, éramos muitos — não todos, infelizmente. Mas quem não estava pode dizer que estava, porque cada um de nós trouxe um pedacinho consigo.

Houve um momento em que, mais do que em qualquer outro, estávamos todos presentes — os presentes e os ausentes. Um momento em que até os presentes estavam mais presentes do que o habitual, ou seja, presentes a si mesmos.

Após as confissões, a missa e o almoço, fomos convidados a descer à cripta. A temperatura agradável e o silêncio nos acolheram. Apesar do grupo numeroso, cada um se acomodou ordenadamente, como se tivesse na mão um bilhete numerado com o lugar marcado e escrito “reservado”.

A cripta estava por nós preenchida, colorida e por ele habitada: São Gabriel. Apesar do elevado número de pessoas, foi natural adequar-se ao silêncio. Ficamos ali, diante de São Gabriel. Em silêncio. Simplesmente estávamos. Estávamos no “aqui e agora” — como poucas vezes neste último tempo nos acontece de estar — no “aqui e agora” onde os mais afortunados estão habituados a permanecer, mas para quem já habita nos “não lugares” — assim os sociólogos definem as redes sociais, a inteligência artificial e o mundo da internet — infelizmente pelo “aqui e agora” só passa de passagem.

Parados. Em silêncio. Em oração. Em escuta.

Por aquele tempo — que não sabemos quantificar porque não era importante perguntá-lo — estacionamos, na vaga de garagem ao lado dos nossos carros, todas as nossas preocupações. Naquele momento, os nossos pensamentos estavam na nossa pasta “enviados”, mas ao mesmo tempo na pasta “recebidos” de São Gabriel.

Eis que, naquele momento em que estávamos presentes a nós mesmos, estávamos ainda mais presentes aos olhos dos outros — e sobretudo daqueles que entravam na cripta e a encontravam cheia de Jesus Operário, em silêncio…

Justamente aqui alguém poderia ter se perguntado se toda essa participação não fosse realmente um fenômeno sobre o qual refletir. E talvez não seja coincidência que “fenômeno”, do grego phainómenon, é aquilo que aparece, aquilo que se manifesta. E talvez hoje tenhamos manifestado e se tenha manifestado em nós e nos outros… algo.

Não sabemos se quem nos observou de fora nos reconheceu “pelo amor que nos temos”, mas é difícil não perceber um povo que sabe se confiar, que se recolhe, que para em oração juntos.

Naquele silêncio que ainda nos habita, vai se depositando uma certeza: que nenhuma lágrima se perderá e que nenhum bilhete — no qual hoje escrevemos a nossa oração, mesmo a mais frágil e a mais gramaticalmente imperfeita — ficará “por ler” ou na “caixa de spam”.

Obrigada, São Gabriel — precisávamos sentir de novo a tua história, descobrir a sua simplicidade e fazer de novo a experiência de que sozinhos não nos salvamos e que, por isso, temos uma comunidade que nos oferece ótimas possibilidades!

Até a próxima peregrinação e… feliz sexagésimo aniversário, queridos “conterrâneos” deste VERDADEIRO LUGAR que se chama Jesus Operário!

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